André: Aquele que não precisa aparecer para fazer diferença, mas encontra propósito em simplesmente conduzir outros até Jesus.
Bartolomeu (Natanael): Aquele que começa com dúvidas, mas tem coragem de ir, ver por si mesmo e deixar a verdade transformar seu coração.
Filipe: Aquele que descobre que seguir Jesus é mais do que entender — é confiar e chamar outros para ver.
João: Aquele que faz do amor e da verdade seu caminho, permanecendo tão próximo de Jesus que sua vida se torna reflexo dEle.
Judas Iscariotes: Aquele que caminha ao lado de Jesus, mas nunca permite que Ele habite em seu coração.
Judas Tadeu: Aquele que anseia que todos vejam a luz, mas compreende que ela se revela aos que permanecem fiéis à Palavra.
Mateus: Aquele que, improvável aos olhos humanos, é alcançado pela misericórdia e transformado em instrumento de graça.
Simão (Zelote): Aquele que carrega revolta no coração, mas encontra em Jesus um poder maior... o de ser transformado pela graça.
Simão (Pedro): Aquele que, mesmo cheio de falhas e contradições, é moldado por Jesus até se tornar firme na fé e corajoso no propósito.
Tiago (filho de Alfeu): Aquele que, sem destaque aos olhos do mundo, é escolhido por Jesus e permanece fiel no lugar onde poucos veem, mas Deus conhece.
Tiago (filho de Zebedeu): Aquele que, com sensibilidade e equilíbrio, enxerga além das aparências e se aproxima das verdades mais profundas de Jesus.
André era um nativo de Betsaida, nas praias do Norte do mar da Galiléia. Era pescador juntamente com seu irmão Pedro, e inicialmente estava seguindo o profeta João Batista. Certo dia, quando Jesus passou e João declarou que aquele era o Cordeiro de Deus, ele passou a segui-lo, também trazendo seu irmão.
O que é importante observarmos é a maneira que André agia e de onde ele agia. Ele também era um líder nato, tanto é que ele está na primeira lista de quatro discípulos de Jesus e também esteve envolvido nos momentos cruciais do ministério de Jesus. Todavia, a característica do seu ministério acontecia em num lugar que nem todos estão dispostos a trabalhar – nos bastidores. Ele não se importava em ficar escondido, desde que o trabalho estivesse sendo realizado. Essa é uma lição que muitos cristãos de hoje fazem bem em aprender.
André jamais pregou para multidões ou fundou igrejas, ele nunca escreveu uma epístola, nem é mencionado no livro de Atos. No entanto, por meio dele, Pedro teve um encontro com Jesus, e por seu intermédio os gregos foram levados até o Mestre (por esta razão podemos dizer que ele foi um dos primeiros missionários estrangeiros da fé cristã). Assim, seja qual for o papel que tenha desempenhado na igreja primitiva, ele permaneceu “sem ser notado” contribuindo para que pessoas ouvissem o evangelho do Reino de Deus.
Pensando em nossa caminhada com Cristo, às vezes nos sentimos para baixo por não termos um "grande" dom. Achamos que não somos importantes por não sermos grandes pregadores ou cantores, por exemplo. São vários motivos que contribuem para essa tristeza. O que eu posso dizer é que se você não é como João, Pedro e tantos outros personagens notórios, seja simplesmente como André: conduza as pessoas à presença do mestre Jesus sem ter necessidade de ser destacar por isso.
Nossos preconceitos pessoais distorcem nosso julgamento, mas por estarmos abertos à palavra de Deus, podemos chegar até a verdade. O chamado de Bartolomeu nos ensina uma grande lição: Jesus nunca buscou apenas pessoas de fé inabalável. Ao conhecer Jesus pela primeira vez, Bartolomeu (também mencionado como Natanael) superou seu ceticismo e preconceito, aceitou o chamado de Jesus e tornou-se seu discípulo. Ele testemunhou a ascensão e se tornou um missionário, espalhando o evangelho.
Ao receber a notícia pelo seu amigo de que haviam encontrado o Messias de quem Moisés e os profetas testificam, e que este, se tratava de Jesus, um simples carpinteiro do interior, Bartolomeu questionou: “Pode sair alguma coisa boa daquele lugar?”. Essa pergunta indica que até aquele momento provavelmente Bartolomeu nunca havia percebido alguma profecia messiânica relacionada aquela cidade. Alguns comentaristas enxergam essa pergunta como um tipo de preconceito para com aquela região. De mesmo modo, na maioria das vezes, somos assim também como Bartolomeu: desconfiados e querendo ver sinais deslumbrantes. No entanto, mesmo tendo essa concepção, Bartolomeu acompanhou seu amigo Filipe até Jesus.
Ao ver Bartolomeu se aproximando, Jesus disse: “Vejam... aí está um israelita em quem não há falsidade”. Com isto, Jesus não estava indicando que Bartolomeu era perfeito, mas que em seu caráter honesto ele se diferenciava da maioria dos judeus. Ao ouvir as palavras de Jesus, Bartolomeu sinceramente lhe perguntou: “Como me conheces?” (e cá entre nós, provavelmente naquele instante ele tivesse suspeitado que Filipe, seu amigo, já havia falado sobre ele...) mas logo Jesus tratou de acabar com qualquer suspeita e respondeu: “Antes que Filipe o chamasse, quando você estava debaixo da figueira, eu o vi”. E assim, diante de tal declaração, ele caiu em si e reconheceu: “Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel!!!”. Mas por que essa afirmação de Jesus mudou seu conceito a respeito do que ele pensava?
Na época do nascimento de Jesus, Herodes era governador da Judéia e ao receber a notícia do nascimento do Messias mandou matar todas as crianças de 2 anos para baixo. Se considerarmos que Bartolomeu tivesse a mesma idade de Jesus, isso o leva ao cenário destas matanças realizadas por Herodes.
Quando começaram os assassinatos, a mãe de Bartolomeu temeu que o seu filho fosse morto pelos soldados, então escondeu seu bebê debaixo de uma figueira específica e enquanto ele estava lá, sua mãe orava a Deus pedindo proteção e para que ele vivesse para ver o Messias. Em todas as buscas dos soldados, o menino estava envolto as folhas da figueira. Quando Bartolomeu completou 15 anos, sua mãe lhe contou como lhe escondera, e somente ele e ela sabiam desta história.
Portanto, quando Bartolomeu pergunta para Jesus de onde Ele o conhecia e Jesus revela seu maior segredo ao dizer que o viu debaixo da figueira, Bartolomeu se vê diante daquele ao qual sua mãe orou para que pudesse conhecer.
Quando os apóstolos estavam organizados para o serviço, Filipe foi feito intendente: o seu dever era zelar para que nunca lhes faltassem suprimentos. E ele cuidou bem do almoxarifado. A sua característica mais forte era a minuciosidade metódica. Era tanto matemático quanto sistemático.
Ele era de Batsaida da Galiléia, a mesma cidade natal de André e Pedro. Acredita-se que ali se tratava de uma vila de pescadores localizada na praia ocidental do lago. Como já vimos anteriormente, André havia procurado seu irmão Simão (Pedro) e o havia levado a Jesus, e Filipe fez isso agora com Natanael (Bartolomeu), dizendo: “Achamos aquele de quem escreveram Moisés, na Lei, e os profetas: Jesus, filho de José, de Nazaré... Vem e vê.”
Filipe foi abordado por alguns gentios (mais especificamente, gregos) que pediram-lhe para apresentá-los a Jesus; foi o discípulo que calculou a quantia de dinheiro necessária para alimentar os 5.000 homens; depois da última ceia, Filipe pediu que Jesus lhes mostrasse o Pai, levando à declaração de Jesus: "Quem me vê a mim vê o Pai".
A última vez que a Bíblia menciona o discípulo Filipe é como um daqueles reunidos em Jerusalém para orar após a ascensão do Senhor. A tradição afirma que Filipe foi para a Frígia (na Turquia moderna) como missionário e foi martirizado lá em Hierápolis.
Sabe-se que Filipe, como os demais apóstolos, foram gigantes na fé. Seus legados espirituais, através da ação do Espírito Santo em suas vidas, é inegável. Mas, tais exemplos estão na Bíblia para, enfim, aprendermos inclusive com os erros e limitações dos homens de Deus, que são os erros e limitações de todos nós.
O apóstolo João foi um dos discípulos mais próximos de Jesus e escritor de alguns dos livros da Bíblia. João é geralmente conhecido como “o discípulo amado”. Ele era irmão de Tiago, que também pertenceu ao grupo dos doze discípulos de Jesus.
Passivo, sentimental e introspectivo - conforme expressou certo comentador: “João, com sua mente contemplativa, imponente, ideal, percorreu a vida como um anjo.” (Commentary on the Holy Scriptures of Lange). Tais pessoas baseiam sua avaliação da personalidade de João em ele falar muito sobre o amor.
João era um dos três mais intimamente associados com Jesus. Ninguém conhecia Jesus mais do que ele. João caminhou com o Mestre diariamente, e na grande noite da instituição Ceia do Senhor, na celebração da última Páscoa, foi ele quem se reclinou sobre o peito de Jesus e ouviu as batidas do Seu coração. No momento da crucificação, foi João o discípulo que aparece mais próximo no Calvário, recebendo de Jesus a incumbência de cuidar de Maria. Depois, foi ele quem correu juntamente com Pedro ao túmulo na manhã da ressurreição.
João era apaixonadamente dedicado à proclamação da verdade: Sua alegria foi proclamá-la aos outros e depois observá-los andar nela. Sua condenação mais forte foi para aqueles que perverteram a verdade e desencaminharam os outros, especialmente se alegavam ser cristãos. Sua paixão pela verdade alimentou sua preocupação com as pessoas que poderiam ser enganadas por falsos mestres. Ele não teve nenhum escrúpulo em identificar como "falsos profetas" e "anticristos" aqueles que tentaram perverter a verdade.
Um homem talentoso, com um potencial tremendo, mas que amou mais a corrupção e a sua sabedoria do que ao seu Mestre. Que glorioso futuro era sonhado por Deus para esse homem que por si mesmo transformou a sua história em escândalo! Judas abriu mão da sua vida quando recebeu o convite e aceitou seguir Jesus, mas infelizmente entendemos que ele o seguia de perto apenas fisicamente, pois o seu coração sempre o seguiu de longe.
Iscariotes foi o discípulo que traiu Jesus. Ele servia como tesoureiro no grupo apostólico, mas no exercício dessa atividade, ele roubava. O texto bíblico diz que Judas furtava a arrecadação que ficava guardada na bolsa que ele era o responsável por guardar.
Considerando todas as referências bíblicas em que ele é mencionado, podemos perceber que ele reunia em si a hipocrisia, o egoísmo, a soberba, a avareza, a inveja e a cobiça. A história dele é um retrato vívido de como o homem, em sua própria natureza, é completamente depravado e perverso, apto a ser instrumento nas mãos do diabo.
O povo que louva a Deus com os lábios, mas o coração permanece longe dEle... Será que somos assim? Olhar para vida de Judas é olhar para um espelho e refletir como está o estado de coisas dentro de nós mesmos. Judas usou uma máscara a sua vida toda e acabou muito mal.
Disse então Judas (não o Iscariotes): "Senhor, mas por que te revelarás a nós e não ao mundo?”. A pergunta de Judas provocou no Mestre o desejo de instar com os discípulos a perseverança em segui-lo, mesmo em face do que brevemente ocorreria: a traição, prisão, julgamento e negação. Jesus lhe respondeu afirmando que teriam manifestação dele todos os que guardassem sua palavra e permanecessem fiéis a seu amor. Sem dúvida, nesse fato, Judas Tadeu demonstra sua generosa compaixão pela humanidade, para que se salvem todos.
Judas Tadeu escreveu um livro da bíblia. Em sua epístola curta, ele adverte os crentes a evitar os falsos mestres que distorcem o evangelho para seus próprios propósitos, e ele nos chama a defender firmemente a fé cristã durante a perseguição. Além disso, os dois últimos versos de contêm uma doxologia, ou “expressão de louvor a Deus”, considerada a mais bela do Novo Testamento.
Tadeu também desafia os cristãos a batalhar pela fé. Ele demonstrou, por meio das Escrituras, que os problemas e as maldades que os cristãos enfrentavam na sociedade não eram novos. No passado, Deus julgou sistematicamente os que ensinaram o mal e faria isso novamente. O grande consolo para todos os cristãos que enfrentam as heresias é que o Senhor cuida dos seus e com certeza os guardará para si e para sempre.
Em Mateus não havia nada que o qualificasse como um possível chamado por Jesus. Não era um religioso, sacerdote, escriba ou fariseu. Era um judeu publicano contratado pelos romanos. Os publicanos eram os cobradores de taxas e impostos a serviço do Império. Essa classe de trabalhadores era desprezada pelos demais judeus que os reputavam praticamente como traidores de seu próprio povo. As coisas em Mateus que não o qualificavam para ser um seguidor de Jesus, segundo o olhar humano, eram justamente o que o Mestre viu para chamá-lo. Jesus o convoca: “Segue-me”, ensinando que a causa do chamado não está na pessoa chamada, mas nos olhos graciosos de quem chama.
Mateus respondeu ao Mestre com entusiasmo: Ele disse sim e deixou para trás sua profissão, aderindo completamente à sua nova missão. Mateus prepara e convida Jesus para uma grande festa de despedida em sua casa. Assim, uma numerosa multidão de publicanos e outros tantos condenados aos olhos do povo sentaram-se à mesa com ele e com Aquele que veio, não para os sãos, mas sim para os doentes; não para os justos, mas para os pecadores. Chamando-os à conversão e à vida nova.
E é nesse contexto que qualquer pessoa pode perguntar-se: “Como pode Deus estar presente em certos ambientes, especialmente tão repugnantes, maus ou perversos, em certas situações injustas como a vida vivida pelo publicano Mateus?”. Deus se encontra ali para curar, para salvar. Todo o Evangelho, quando se trata de Deus, nos urge que saibamos ultrapassar a noção de justiça e descobrir a Misericórdia infinita de Deus pelos pecadores. Deus não se cansa de perdoar e de se encontrar com os perdidos para salvá-los, pois Jesus, o Deus-Conosco, veio para esses.
Mateus, também conhecido por Levi, ficou conhecido no Cristianismo nem tanto pela sua obra missionária no Oriente, mas sim pelo Evangelho que, guiado pelo carisma extraordinário da inspiração, pôde escrever, entre 80-90 na Síria e Palestina, grande parte da vida e ensinamentos de Jesus com muitas minúcias.
Simão era simpatizante atuante à causa dos Zelotes, uma seita judaica com viés libertário e nacionalista que trouxe muitas dificuldades e ódio aos romanos. Essa seita era radical. Eles defendiam a luta armada contra os romanos e aguardavam um messias guerreiro. Muitos dos partidários faziam uso da força e violência, incluindo crimes de homicídio, pois entendiam que os fins justificavam os meios. Alguns deles andavam armados com uma faca pontiaguda, a “Siica”, e usavam-na em assassinatos pontuais. Os Zelotes Sicários eram a personificação do terror e medo para os romanos.
Mas... Como Jesus resolve escolher para ser um discípulo alguém no perfil de Simão, o Zelote? (Não confunda com Simão Pedro, o pescador). Como pode Jesus arregimentar para ser um daqueles que levariam a Palavra de amor e perdão ao mundo uma pessoa que não conhecia outra coisa senão o ódio e a vingança?
Na visão de Jesus: “Terrorista bom, não é terrorista morto”, mas convertido, com uma nova vida. A presença de Simão Zelote, o feroz e indomável patriota, na lista dos apóstolos é uma bela ilustração do poder reconciliador de Jesus Cristo. Uma das marcas do reino de Cristo é exatamente a reconciliação: Quanto mais tempo passamos na escola do Senhor mais vamos compreender que não foi por nossos méritos que fomos salvos, muito menos por obras de justiça que alcançamos o amor do Pai, mas por Sua bendita misericórdia e Seu Favor Imerecido, a Graça.
Pedro era um típico homem do campo, simples, direto e também impulsivo. O primeiro contato entre ele e Jesus foi por intermédio de seu irmão André, também apóstolo. Esse contato ocorreu antes do início do ministério público do Senhor na Galiléia. Depois disto, Pedro e André continuaram com a pescaria durante um período de tempo, até que receberam um convite consequente de Jesus enquanto estavam no mar.
O apóstolo Pedro teve uma participação muito ativa e significante durante o ministério de Jesus. A história dele é extremamente rica e marcante, sendo um dos discípulos mais próximos de Jesus e influentes do princípio do cristianismo.
Naturalmente impetuoso ao passo que é terno e afetuoso, Pedro é aquele homem cheio de estranhas contradições. Às vezes presunçoso, outras vezes tímido e covarde. Pedro estava sempre pronto ao auto sacrifício, no entanto, de vez em quando inclinado à autogratificação. Dotado de introspecção espiritual e vagaroso para aprender as verdades mais profundas, ele fez duas grandes confissões de sua fé em Cristo, todavia também o negou de maneira covarde (se arrependendo depois). Pedro se destacava como discípulo por sempre falar a verdade, pois era entusiasmado e amava Jesus sobre todas as coisas. Ele tinha a personalidade de um líder, mas ainda não era “maduro” o suficiente.
Conforme foi passando o tempo, Pedro foi sendo lapidado e amadureceu bastante, deixando muitas atitudes desagradáveis de lado. Por isso, ele é um exemplo de humildade, superação e coragem, sendo um homem extremamente usado para levar a palavra de Deus.
A única coisa que as Escrituras nos dizem sobre esse Tiago é o seu nome. Em momento algum ele chegou a ter qualquer fama ou notoriedade. Não era o tipo de pessoa que chamava a atenção. Até mesmo seu nome era comum. É bem possível que ele era uma pessoa a qual na maior parte do tempo ficava nos bastidores. Tudo isso é coerente com o perfil pouco saliente no meio dos doze.
Ele é identificado pelo evangelista Marcos como “Tiago, o menor”. A expressão “o menor” traduz o grego ho mikros, que literalmente significa “o pequeno”. Essa descrição pode ser em referência a sua estatura ou um indicativo de que ele era mais jovem que o outro apóstolo de mesmo nome.
Nas quatro listas dos apóstolos, Tiago sempre se mantém no mesmo lugar. Ele lidera a terceira classe. Pedro parece liderar o primeiro grupo, Filipe o segundo, e Tiago o terceiro. Muito pouco se sabe sobre Tiago até o período posterior à ressurreição. Pelo que Paulo relata em 1 Coríntios 15:7, é evidente que Tiago tinha sido honrado com uma conversa pessoal com o Senhor antes de Sua ascensão. Isto foi antes do dia de Pentecostes, e pode ter ocorrido para incentivo, orientação e fortalecimento especial do apóstolo.
Ao que parece, ele não buscava qualquer reconhecimento. Não demonstrava uma grande aptidão para liderança. Não fazia perguntas críticas. Não apresentava nenhum ponto de vista surpreendente. A única coisa que ficou foi seu nome, enquanto toda obra de sua vida encontra-se envolta em mistério. Contudo, ele era um dos doze. Por algum motivo, o Senhor o escolheu, treinou, deu poder (como fez aos outros) e o enviou para testemunhar.
Tiago tinha um perfil idealizador, era um pensador com comportamento criativo e intuitivo, mas sempre bem equilibrado e flexível. Ele era irmão de outro apóstolo, João, Tiago é mencionado quase sempre antes de João, acredita-se que ele tenha sido o mais velho. Zebedeu, seu pai, tinha condições para contratar empregados, e seu irmão, João, era conhecido do sumo sacerdote, o que provavelmente indica que eles faziam parte de uma família próspera e respeitada socialmente. Tiago sempre aparece em companhia de Pedro e João, formando o grupo de discípulos mais próximo do Senhor Jesus. Talvez estes três discípulos tinham compreendido de uma forma um pouco mais profunda, quando comparado aos demais, a verdade acerca do Messias.
O traço notável da personalidade de Tiago era a sua capacidade de ver todos os lados de uma questão. De todos os doze, era ele quem chegava o mais próximo de captar a importância e o significado real do ensinamento de Jesus. Era capaz de entender uma gama bastante ampla de naturezas humanas. Ele era aquele que se dava bem com o versátil André, com o impetuoso Pedro e com o seu contido irmão João.
Tomé: Aquele que, entre dúvidas e fé, tem coragem de buscar respostas e encontra em Jesus motivos para crer. Tomé aparece na Bíblia como sendo alguém de extremos, isto é, ele demonstrava ao mesmo tempo pessimismo e uma enorme devoção ao Senhor. Ele provavelmente era um tipo mais racional que necessitava de demonstrações mais palpáveis do poder divino para vir a crer, ou necessitava de mais informações para conseguir assimilar as experiências (talvez sua atitude mais prática e intelectual fosse uma maneira do seu ego lidar com as dificuldades emocionais).
Outra característica que podemos deduzir de Tomé, além da sua racionalidade, era a obediência e a lealdade, pois o comentário que fez no episódio da morte de um homem (Lázaro) nos faz pensar que ele levava em consideração a fidelidade a Jesus e o senso de grupo.
Ele não era o único incrédulo; os outros discípulos também mostraram incredulidade em alguma situação. O que fosse, podemos dizer que o caráter deles precisava ser transformado por Jesus para todos exercerem seus ministérios na terra de maneira mais conveniente.
A vida de Tomé mostra um pouco de cada um de nós. Somos discípulos de Cristo, queremos ser corajosos na fé como Tomé quis ser, mas às vezes não entendemos o significado das coisas espirituais. Procuramos entender, mas existem situações que não conseguimos entender. Tomé teve a ousadia de dizer o que sentia e de querer mais de Jesus. Jesus comparou a fé com uma semente de mostarda muito pequena, mas que cresce. Isso nos ensina que ainda que nossa fé seja pequena, ela pode crescer.












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