O que realmente significa "ser irmã"? Será que a irmandade se limita a compartilhar o mesmo sangue, ou existe algo muito mais profundo nessa palavra? Na perspectiva bíblica, ser irmã é reconhecer-se parte de uma família que ultrapassa os laços terrenos, uma união estabelecida pela fé em Cristo e sustentada pelo amor de Deus. É compreender que não caminhamos sozinhas, que a jornada cristã também envolve acolher, encorajar, edificar e crescer uns com os outros.
Hoje falaremos de Áfia, uma mulher que não possui um longo relato nas Escrituras. Não temos registros de grandes discursos, feitos extraordinários ou episódios marcantes de sua vida. Temos apenas uma menção, um nome e uma identificação: irmã.
Acredita-se que ela nasceu na Frígia na década de 30 d.C., poucos anos após Filemom. É possível que ela seja de origem grega, dessa forma seu idioma era o grego koine.
A tradição identifica Afiá como a esposa de Filemom (o destinatário da epístola de Paulo) e mãe de Arquipo, mas isso não é afirmado explicitamente no texto. O foco principal é sua designação como Apóstola (na tradição grega) e a ideia de que sua casa, em Colossos, era o local de reunião da igreja.
Áfia é chamada de “a irmã”. Ou seja, Paulo usa a descrição de “irmã” ou “irmão” para certos crentes que eram seus colegas de ministério. Áfia como “irmã” é “um título comparável a 'nosso irmão', como aplicado a Timóteo, e, portanto, destaca sua posição independente como cristã e possivelmente como líder da igreja”. Além de Áfia, Paulo se refere a outra mulher em suas cartas como “irmã”. Essa mulher é Febe, ministra (diakonos) da igreja em Cencréia.
Essas “irmãs” desempenharam um papel muitas vezes crucial, e por vezes difícil e perigoso, na propagação do evangelho em novos territórios. Em locais mais influenciados pela cultura grega do que pela romana, as “irmãs” eram necessárias para ministrar a outras mulheres, como as viúvas, que viviam vidas relativamente isoladas.
Áfia pode ter sido missionária atuando em Colossos. Algumas mulheres envolvidas nas missões paulinas são mencionadas em parcerias ministeriais com homens, mas muitas outras são mencionadas sem qualquer referência a um parente do sexo masculino. Não está claro se essas mulheres eram viúvas, solteiras, divorciadas ou casadas. No entanto, elas eram ativas no ministério e proeminentes em suas igrejas, independentemente de terem um marido ou apesar dele. Áfia também é proeminente e parece ser identificada como um indivíduo, e não como uma parceira missionária. Ela era conhecida o suficiente por Paulo para ser mencionada pelo nome em sua carta a Filemom.
Afiá representa a mulher fiel que não apenas aceitou o retorno do escravo fugitivo Onésimo (agora um irmão amado em Cristo), mas ajudou a transformar sua casa em um centro de amor e serviço cristão, vivendo o perdão radical de Paulo.
Paulo não menciona Áfia por acaso: ele a inclui nominalmente entre aqueles a quem dirige sua mensagem. Seu nome foi preservado nas Escrituras, mesmo sem que conheçamos os detalhes de sua história.
Não pense que sua contribuição é pequena porque não ocupa uma posição de destaque. Nem toda mulher será conhecida por multidões, mas toda mulher pode exercer uma influência por meio de sua fé, serviço e testemunho.
Que a breve menção de Áfia nas Escrituras nos conduza a uma reflexão que ultrapasse as páginas de Filemom e alcance a maneira como temos vivido nossa irmandade. Que não sejamos mulheres que apenas compartilham o mesmo nome de fé, mas que demonstram, por meio de suas atitudes, a essência de pertencer a Cristo. Que saibamos acolher sem julgar, encorajar sem competir, amar sem reservas e caminhar juntas, mesmo quando os passos forem difíceis. Afinal, Deus nos chamou para sermos mais do que mulheres reunidas pela fé: chamou-nos para sermos irmãs que refletem Seu amor umas na vida das outras. E que, ao olhar para nós, outras mulheres possam encontrar não apenas alguém que professa a mesma fé, mas alguém que verdadeiramente vive o significado de ser irmã.

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